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São diversas as situações do dia-a-dia que colocam a prova a maneira como os pais protegem seus filhos e como ensinam os mesmos a se proteger. Trata-se de situações corriqueiras, desde colocar o filho sentado ou não na cadeirinha do carro com cinto de segurança, até a atitude que incentiva o filho a tomar caso um amiguinho bata nele na escola.

Alguns pais ensinam o “velho” ditado infantil: olho por olho, “dentada por dentada”. “ Se te baterem primeiro, filho, bate de volta!!” Outros falam para chamar a professora e alguns vão até a escola tirar satisfações com o coleguinha que bateu. Sem entrar no mérito de qual seria a mais correta, em algum momento os pais devem se perguntar como estão ensinando os filhos a se fortalecer e defender-se perante os obstáculos que a vida apresenta.

Desde os primórdios da sociedade, entende-se que leis e regras são fundamentais para proteger os cidadãos de si mesmos. A cada dia novas situações acontecem que fazem com que possamos rever regras básicas: uso da cadeirinha infantil sendo obrigatória para evitar acidentes fatais, punições para aqueles que ultrapassam placas dizendo que uma área está interditada, limites na conduta para preservar uma pequena liberdade a cada indivíduo, etc.

Nesse momento o leitor deve estar se perguntando em que país eu vivo, pois no Brasil é sabido e notório que o mal exemplo vem de cima e que o jeitinho brasileiro é que sempre dá conta do recado. No entanto, quando os pais pensam em seus pequenos filhos, ainda indefesos e nos adultos que gostariam que se tornassem, surge o questionamento: deve-se criar os filhos com os valores que consideram corretos ou com os que vão fazer com que eles se encaixem melhor na sociedade em que vivem?

Embora a resposta pareça óbvia, não é. A exclusão e o bullying nas escolas são corriqueiras e sofridas para quem vive. Geralmente, os mais “populares” são os transgressores; os que demonstram para os colegas que são destemidos e que não precisam seguir regras. Os que não acompanham são taxados de nerds, nenenzinhos, filhinhos de mamãe.

Convenhamos que na sociedade em que vivemos, o mundo é dos espertos. Os educados, bonzinhos, sem malícia, que seguem as regras, geralmente ficam pra trás. Os jornais mostram isso diariamente e muita gente opta por entrar no esquema para não “ficar de bobo”. Os pais acabam deixando de intervir para que seus filhos não destoem do grupo e não passem a ser vítimas da exclusão. Abrem mão do que acreditam para fazer parte. Com isso, perdem a autenticidade e a coerência: 2 elementos básicos na formação de uma personalidade sólida. E é só com ela que aprendemos a nos defender.

Uma outra maneira de fazer com que essa auto-proteção não tenha a oportunidade de se desenvolver é quando os pais resolvem todo e qualquer problema pela criança. O bom senso faz com que os estes intervenham cada vez menos com o passar dos anos. No entanto, hoje em dia é muito comum encontra-los na faculdade indo resolver questões curriculares dos filhos.

A família têm, no início da vida da criança, a função de amortecer as adversidades, mas não de impedi-las. Até a adolescência é possível ensinar o básico sobre como este deve se portar perante o mundo, bem como dar as ferramentas e os valores que servirão de apoio nos momentos de crise. Depois disso, é o mundo quem ensina, e nesse momento, a proteção tem que vir de dentro.



 

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